O Café na Varanda!
"A não muito, decidi construir uma cadeira toda feita de carvalho negro, assim como a cor dos cabelos de minha amada, e costumeiramente, eu a colocaria frente a lareira feita de tijolo barroso, esta que vem me servindo por muito tempo como o aconchego frente ao inverno. Porém, ao observar a riqueza dos detalhes do madeiramento e do assento todo bordado que minha esposa fez a alguns anos, decidi que tal beleza deveria acompanhar as outras que a natureza provém, e assim, por fim, dispus minha bela obra de arte na varanda de minha cabana.
Era lindo como os pássaros cantarolavam estando próximos a ela e como ela parecia ser livre olhando para os montes e estradas. Mas mesmo com tal beleza, eu era um pouco intenso em minhas decisões. Não gostava de me sentar à varanda para "perder" tempo. Pela manhã, eu recolhia um pouco de lenha e servia o alimento de meus pequenos companheiros de locação. Não havia muitos animais e a maioria serviria como uma ceia, após a engorda, mas eu cuidava muito bem de todos eles.
Pela tarde, eu caçava alguns coelhos, para garantir o alimento da noite e do dia seguinte. E a noite, acobertado por um casaco feito de pele, estava eu frente a lareira, jantando e descansando. Então eu não tinha tempo para sentar na varanda e ficar cantarolando com os pássaros.
Mas certa vez, ao fazer um café para me aquecer, e tendo lenha do dia anterior, fiquei em minha porta analisando tal cadeira, e então, tal desejo obscuro de me deleitar sobre ela tomou posse de mim e não demorou alguns minutos para eu estar sentado, usufruindo da visão que ela obtinha todos os dias e me proporcionara.
O rodeio de pássaros e suas canções é de fato, uma das maiores belezas naturais que encontro aqui pela cabana. Ao fundo, posso ver as pequenas carroças indo e vindo pela estrada, afinal era dia do mercador e todos dirigiam-se a uma praça local. Os montes esverdeados, por fim, sinalizavam uma dança metódica e ondulada por toda a visão do meu horizonte. Tudo parecia tão lindo.
Era tão intrigante o fato de eu ser mais livre que minha cadeira por ir a qualquer lugar e no fim, a pouca liberdade dela, foi mais bonita do que a minha."
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