O Amagor de Shajin: Parte 1

        Sob a mesa, estende-se um mapa. Rústico e desgastado, ele era bem completo. Mostrava rios e rochedos, divisões feudais e posições de castelos e fortalezas. Suas dores vinham dos imensos furos que rasgavam sua pele, feitos pelos diversos marcadores coloridos que se aglomeravam em uma região e reduziam-se em outras.

    A vigília constante e a busca por soluções não eram de responsabilidade daquele mapa e sim dos dois generais que neste momento, estavam furiosos e desatentos.

        - Tragam-me o mago! – solicitou um deles, o mais rabugento dentre os dois.

    O silêncio de espera era irritante. Kalhur, o primeiro general rangia os dentes enquanto aguardava seu aliado. O que mais lhe irritava naquele momento era os diversos olhares amedrontados que o seguiam naquela sala.

        - Precisa mesmo fazer isso Kalhur? Já não puniu eles o suficiente?

    Antes que pudesse responder, três batidas ecoam sobre o interior da porta de madeira, seguido por um arranhado metálico ao arrastar pelo chão. “Aqui está senhor!”, disse um guarda que trazia consigo um homem encapuzado e um ovo cristalino cujo interior, era formado por um fluído tranquilizante que, ora era líquido, ora era gasoso.

        - Ó meu grandioso conselheiro, como estão os preparativos e as armadilhas? - disse o primeiro general, voltando-se para o homem de capuz, e antes que pudesse continuar, ecoou um grito pela sala.

        - KALHUR!! - gritou Kozan, o segundo general - Você só pode estar LOUCO! Já perdi homens demais naquele vilarejo, e agora quer arrastar mais outros com esse plano insano e suicida? Todos estão exaustos, então destrua esta maldita ponte e evitaremos tudo!

        - Kozan tem razão meu jovem general! Só para ativar as armadilhas, vamos precisar de duas equipes, uma para carregar os barris até as ruínas, e a outra para garantir o caminho até as entradas. E ainda teremos a sorte se nossos inimigos vierem a cair nessa armadilha.

        - O que o cristal diz? - retrucou Kalhur - Diga-me o que ele vê!

        - O cristal diz que terá êxito em seus planos sobre o vilarejo, mas...

        - Então FAÇA!! - interrompeu o mago antes que pudesse finalizar - Não me interessa as consequências!

    Prontamente virando-se para porta afim de deixar o recinto, o mago lançou palavras que ecoaram sobre a sala: "Vejo fúria e vingança contra o senhor, meu general. Mas recusa-se a acreditar em mim!"

    Kalhur resmungou sobre tal previsão e já deu o sinal para os outros capitães sobre a sala, que logo saíram para cumprir a designação. Kozan, furioso olhando tudo aquilo, e praguejando contra tudo, saiu com passos pesados e fora encontrar sua equipe que servirá como segurança nesta empreitada suicida, como chamara uma vez.


Continua....

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